“A religião só poderá falar ao povo de nossa época se conseguir dizer uma palavra transcendente e, portanto, julgadora e transformadora. De outra forma, não será mais do que mera colaboradora do que se aceita comumente, serva da opinião pública, exercendo posições de tirania tão terríveis como as de qualquer outro tirano. Mas se nossa religião puder transcender tudo isto, em que direção deverá se mover?”
"Sim, é essa, de todas as palavras humanas, a que arrasta consigo a carga mais pesada. Não há outra palavra que tenha sido tão conspurcada e aviltada. Justamente por isso não podemos renunciar a ela. Sobre essa palavra as gerações dos homens colocaram todo o fardo de suas angústias, rolaram-na e derrubaram-na por terra; ela encontra-se no pó, esmagada pelo peso de todos eles. Com suas divisões religiosas, as gerações dos homens a dilaceraram; por ela eles mataram e por ela morreram; ela carrega em si os vestígios e o sangue de todas as gerações.
Grupo de Pesquisa: Protestantismos e Pentecostalismos
Título: Concepções escatológicas e vida social no Pentecostalismo Brasileiro
Autor: Daniel Rocha E-Mail: danielrochabh@yahoo.com.br
Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
Título Acadêmico: Historiador. Mestrando em Ciências da Religião pela PUC-MG
Esta breve reflexão pretende discutir como as formulações teológicas internalizadas pelos fiéis e pregadas pelos sacerdotes lhes dão uma idéia de sentido para a história e influenciam sua participação na política e na sociedade. Para tentar atingir tal intento, analisaremos o desenvolvimento da escatologia, a doutrina das últimas coisas, no pensamento cristão e como ela influenciou e foi influenciada pelas conjunturas sociais. Por fim, analisaremos as concepções escatológicas do pentecostalismo brasileiro, à luz das suas expressões de fé, e suas conseqüências na vida social e política de seus fiéis e lideranças.
Se diante dos olhos tivéssemos só o que enxergamos, certamente nos satisfaríamos, por bem ou por mal, com as coisas presentes, tais como são. Mas o fato de não nos satisfazer, o fato de entre nós e as coisas da realidade não existir harmonia amigável é fruto de uma esperança inextinguível. Esta mantém o ser humano insatisfeito até o grande cumprimento de todas as promessas de Deus.
Em longo prazo, contudo, uma das idéias de Teologia da Esperança provou-se efetiva. É a idéia de que Libertação histórica e redenção escatológica devem ser vistas juntas em uma pespectiva, a pespectiva do "Discipulado criativo". Escatologia não significa meramente salvação da alma, resgate do indivíduo deste mundo maligno, conforto para a consciência atormentada, mas também a realização da esperança escatólogica por justiça, a humanização do ser humano, a socialização da humanidade, paz para toda a criação.
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