A modernidade se orgulha de ter colocado o homem, novamente, na posição central do conhecimento. A confluência de determinadas correntes intelectuais colaborou, sem sombra de dúvida, para rebaixar o pensamento filosófico das alturas metafísicas, limitando a epistemologia a questões meramente humanas. O novo conceito opunha-se, principalmente, à doutrina da Igreja Católica, cuja interpretação do homem estava vinculada, de maneira íntima, à realidade divina. Para a teologia cristã, o ser humano carecia de qualquer dignidade particular: sua dignidade dependia da filiação divina. |
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A sociedade globalizada e interconectada pela internet tem se caracterizado por uma evolução tecnológica impressionante. Do mesmo modo, os sistemas de comunicação alcançaram patamares jamais imaginados pela mente humana. Porém, a evolução dos meios de comunicação, não implicou necessariamente numa melhoria nas relações sociais. Os seres, os quais deveriam evoluir na compreensão dos valores últimos da vida, demonstram comportamentos pré-históricos e nocivos à vivência humana. |
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Estudamos teologia. Não, não seremos padres nem freiras. Na verdade muitos de nós também não serão pastores ou pastoras. Pois é, atualmente diversos pastores e pastoras estão ganhando muito dinheiro. Mas definitivamente não queremos tratar a teologia em seu aspecto estritamente profissional, é a nossa escolha. O papel da teologia Dizer que a teologia é “a disciplina que estuda Deus” não facilita as coisas; afinal de contas, quem é este Deus?[1] “Análise da Bíblia” – essa foi outra definição de teologia que ouvimos por aí, e que se aproxima da definição de Hodge: “a apresentação dos fatos da Escritura, em sua ordem e relação próprias”. Sim, o cristianismo é uma religião do livro e nada mais justo do que ter a Bíblia como fonte básica, mas não única. Não podemos evitar o uso da Bíblia, mas a exposição dos dados bíblicos deve dialogar com a nossa cultura.[2] Neste sentido, a definição sugerida numa das aulas do professor Cláudio de Oliveira Ribeiro[3], pareceu-nos muito mais sedutora: “esforço humano (racional e metódico) para compreender o amor de Deus no mundo”, e de alguma forma se aproxima da definição de Tillich: “a interpretação metódica dos conteúdos da fé cristã”. Muitos cursos de teologia têm sido reconhecidos pelo MEC nos últimos anos, indicando a crescente importância da teologia no âmbito acadêmico e na esfera estatal que, sob o influxo do cientificismo positivista, havia sido marginalizada. De fato, pressupõe-se uma formação teológica multidisciplinar. Sociologia, antropologia, ciência política, história, economia, psicologia, filosofia etc – já estudam fenômenos que a teologia considerava ou considera de seu âmbito particular. Obviamente as diversas disciplinas das ciências sociais e humanas não levam em consideração as categorias religiosas, mas podem perceber, nesses fenômenos, coisas que escapam à teologia. A teologia assemelha-se cada vez mais a outras disciplinas das ciências sociais e humanas, embora tenha sua maneira de ser e trabalhe com categorias religiosas, pela mesma metodologia utilizada. O objeto de estudo da teologia – no caso “o amor de Deus no mundo” (ou “os conteúdos da fé cristã”) – é estudado por diversas disciplinas e em cada uma de suas variadas faces e aspectos e, é claro, com olhares distintos. E, como foi destacado por Maria Isaura Pereira de Queiroz, todas essas disciplinas “admitem que o conhecimento não é nem deduzido de uma lei, nem é constituído por uma qualidade, nem é fruto do simples raciocínio; exige uma pesquisa”.[4] Queiroz ainda faz uma distinção entre dois tipos de pesquisas: as fundamentais e as utilitárias. As fundamentais voltam-se para a elucidação de determinado problema impulsionadas pelo desejo de conhecer. Já as utilitárias são impulsionadas pela necessidade de melhorias concretas. Avaliando essa distinção notamos que a nossa definição de teologia está mais próxima das pesquisas fundamentais – “para compreender” (ou interpretar) –, uma teologia que é encontrada principalmente nos livros e artigos científicos. Esquecemos de mencionar que só é possível estudar e fazer teologia a partir da experiência da fé, só existe teologia confessional. E podemos entender a teologia como uma disciplina engajada, porque ela não busca uma isenção em relação ao objeto de estudo, pelo contrário, teologia se estuda e se faz com vivência comunitária e para a comunidade. Os estudantes de teologia Nós, estudantes de teologia, somos desafiados pela teologia latino-americana a buscar essa vivência comunitária, já que ela enfatiza não só a exegese e a hermenêutica, mas também a práxis. Carlos Mesters nos fala a respeito do método Ver-Julgar-Agir que é próprio da teologia latino-americana: “Antes de procurar saber o que Deus falou no passado, ele procura Ver a situação do povo hoje, os seus problemas. Em seguida, com a ajuda de textos da Bíblia, procura Julgar esta situação. Isto faz com que, aos poucos, a fala de Deus já não venha só da Bíblia, mas também dos próprios fatos iluminados pela Bíblia. E são eles, os fatos, que assim se tornam os transmissores da Palavra de Deus e que levam a Agir de maneira nova.”[5] Gouvêa[6] nos aponta, com muita propriedade, que uma teologia de transformação passa necessariamente pela luta contra o fundamentalismo – o pacote: sectarismo, legalismo e dogmatismo. Primeiramente é necessário quebrar o isolamento dos cristãos da vida da sociedade em que estão inseridos (e também o isolamento dos próprios estudantes de teologia no campus universitário). É necessário buscar uma ética cristã que não seja baseada em minuciosas regras de conduta, mas em princípios gerais que tiramos da Bíblia como um todo, e nos valores do reino de Deus. E finalmente colocar a Bíblia acima dos dogmas e deixar que ela fale por si mesma. “Se todo o país se converter, isso só resolverá os problemas financeiros das igrejas, mas não resolverá as mazelas sociais e culturais do país. Estas só se resolverão quando os valores do reino de Deus forem infundidos na própria cultura e na sociedade em geral.”[7] E, mesmo lutando contra o nosso próprio fundamentalismo somos engolidos pelo Zeitgeist. Agora não há mais saída, e Comblin[8] nos mostra que o tema teológico atual já nos foi imposto pelo contexto global. Ou seja, nós, estudantes de teologia, nos deparamos com a escolha entre o marketing e o diálogo – porque nem todos os meios são bons, e os meios determinam os fins.[9] Não podemos permanecer neutros, na verdade quem não quer escolher já escolheu. Quando nos conformamos com o ideal pequeno-burguês e seu contentamento com os pequenos prazeres da vida ou quando vislumbramos a carreira eclesiástica que pode ser abalada pelo instável mercado religioso, a escolha já está feita. Do outro lado o abandono do orgulho, da agressividade e do desejo de conquista. A escolha dos estudantes de teologia Profissão ou doação? A primeira opção se dá a partir de cima, do Zeitgeist, do mercado e da teologia dominante. Já a segunda se dá de baixo, a partir do risco, da insegurança e vulnerabilidade. Com a primeira supomos que com a educação teológica resolveremos todos os problemas da nossa sociedade, mas a segunda nos lembra que antes de uma boa formação teológica precisamos buscar as pessoas esquecidas, as pessoas que não cabem dentro das estruturas e das categorias, e colocá-las no centro da nossa atenção. “Vai depressa pelas praças e ruas da cidade, e traze para cá os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.” (Lc. 14.21b - TEB) NOTAS: |
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O meu amigo Diogo Santana se propôs a falar sobre a pessoa mais extraordinária que passou pelo mundo (Jesus de Nazaré) - seu nascimento, sua morte e ressurreição. Uma história que me dá esperança para continuar lutando, uma história que me emociona por ser a expressão mais forte do ato de amar. E eu gostei muito do que encontrei no seu mais novo livro - "O Deus de carne: uma introdução a cristologia", principalmente porque o escândalo da cruz está presente (cf. Gl. 3.13). A páscoa cristã passa necessariamente por uma cruz vulgar. Eu me emocionei com as palavras do Diogo, quando ele diz que o nascimento de Jesus (Deus se fez carne) significa que "O céu desceu até nós para fazer justiça aos homens simples do campo, de ontem e de hoje, humildes pastores de ovelhas e criadores de gado; e quando esse menino se tornar um homem dará o céu também aos doentes e excomungados pela lei e mortos pela letra, aos encarcerados, aos famintos de pão e de eternidade, as prostitutas, adúlteras e todas as mulheres subjugadas, a todo tipo de criminoso arrependido - o céu será um lugar de crianças, onde todos os adultos serão expulsos e crescer será apenas um pesadelo que já passou, contudo, é preciso crer e crer com paixão, de elevar a vida acima da perenidade do mundo." (p. 31) Um paradoxo, o próprio Deus se torna criatura, e nos mostra o ideal de humanidade, ele verdadeiramente foi um ser humano, pessoal, único - "o único homem legitimamente humano, por isso ele é a verdade, uma verdade (ser), que nenhum homem tem, por isso ele é legitimamente Deus" (p. 41). Jesus morreu. O Diogo destaca que "todos nós o matamos", mas também fala da "responsabilidade de Deus na morte de Jesus". Na minha opinião, quando ele fala dessa responsabilidade, parece que Deus foi injusto com seu filho, que pai enviaria seu filho para morrer? - e já vejo o Diogo me dizendo que Kierkegaard critica essa ética universalista. Mas Jesus se entregou por nossos pecados (cf. Gl. 1.4), ele foi até as últimas consequências por amor. Eu entendo que seja apropriado nos afastarmos de uma visão sacrificialista e pensarmos na morte de Jesus como martírio que contém por um lado o seu assassinato e por outro a sua doação. "Não se trata, porém, de pensar na cruz, mas de passar por ela" (p. 61). Sim, e também poderíamos dizer que não se trata de carregar a cruz ou o madeiro, porque nem mesmo Jesus fez isso (foi o Simão cireneu - cf. Mt. 27.32), mas de morrermos na cruz com Jesus. O conceito de culpa que o Diogo apresenta é o mesmo de angústia religiosa em Kierkegaard - aqui eu visualizo a conversão (a Deus e aos pobres), ele diz: "O sentimento de culpa diante da cruz, do sofrimento de Cristo, da igreja, do próximo e do mundo, é a fonte pela qual Deus oferece o seu perdão, pois a culpa nada mais é do que o sentimento de responsabilidade diante do sofrimento alheio." (p. 62) Jesus ressuscitou!! - "o fim sempre é um novo começo". A sua ressurreição é "uma nova criação da parte de Deus", ela permite uma profunda reflexão sobre a relação entre fé e história. E diante dela a tensão: escandaliza-te ou crê!! "a fé evangélica não se limita a uma exigência de transformação social e de crítica aos paradigmas que justificam a exploração e a desigualdade, mas também e acima de tudo, que tal transformação seja oriunda de uma reforma na identidade dos homens, (...) que os homens também mudem individualmente, (...) mais importante do que o desenvolvimento social e a justiça em si, é que tais iniciativas sejam oriundas de um coração que não seja alheio ou indiferente a tais transformações sociais, passivo, mas atuante no mundo como agente transformador." (p. 73) E glória a Deus por sua graça, sendo que Jesus nos libertou para sermos verdadeiramente livres (cf. Gl. 5.1): "o sentido da graça: a infinita misericórdia de Deus possibilita uma escolha ao homem: continuar no pecado (lembrando que o pecado não se limita a uma conduta moral) ao mesmo tempo em poder pertencer a uma comunidade cristã (banalizando assim a sua liberdade) ou tornar sua consciência responsável o suficiente para um contínuo exercício de avaliação moral diante de Deus." (p. 75-76) Referência bibliográfica: |
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Há mais de dois mil anos o prefeito da província romana da Judéia questionava: Que é a Verdade? É possível que Pôncio Pilatos não tivesse plena consciência da gravidade desta questão, e nem tampouco estivesse interessado na história desta problemática fundamental. Mas o fato é que ele expressara em pouquíssimas palavras a dúvida que desde sempre angustiou o homem. A busca pela realidade, pelo verdadeiro é algo que perpassa o essencial de todas as religiões, e alcança um grau de sofisticação intelectual no pensamento grego: aletheia é o objetivo principal dos maiores pensadores da antiguidade. |
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Neste trabalho iremos estudar, a partir do livro O suspiro dos Oprimidos, do Rubem Alves, a idéia da verdade. Verdade é uma palavra muito confusa hoje, diz muito mais não mostra nada; provoca mais mortes e brigas que soluções. A questão é: por quê? |
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Qual a maior obra de arte do mundo? Será a música, a literatura ou será a pintura? Posso arriscar um palpite? A maior obra de arte do mundo é o diálogo. Não somente a maior, mas, a mais bela. Por quê? Simples! As coisas, simplesmente acontecem quando o diálogo começa. Eu tenho uma "desculpa" para firmar este minha tese: Deus dialogou! Quando fomos feitos, diz o texto sagrado que houve uma reunião e nesta, ficou decidido: "FAÇAMOS a humanidade"! |
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O que se torna "novo" na recriação de todas as coisas? Por: Jügen Moltmann |
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“A justiça é sempre violada se os homens são tratados como se fossem coisas” (Paul Tillich) Impossível deixarmos de participar das manifestações políticas e de não estarmos inseridos nas decisões que o Estado através de seus representantes tomam. Tal ato é impossível pois todas as decisões políticas afetam diretamente a nós. Assim, somos seres políticos pois vivemos num mundo aonde a política quem determina nosso futuro. |
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Se eu fosse perguntado a sintetizar a mensagem cristã para o nosso tempo em duas palavras, eu diria como Paulo: É a mensagem de uma "Nova Criação". Temos lido alguma coisa sobre a Nova Criação em Paulo na segunda carta aos Coríntios. Permita-me repetir uma de suas frases, nas palavras de uma tradução exata: "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas." O Cristianismo é a mensagem da nova criação, do Novo Ser, da Nova Realidade, que surgiu com a aparição de Jesus que, por essa razão, e só por esta razão, é chamado de Cristo. Para o Cristo, o Messias, o selecionado e o escolhido, é Ele quem traz o novo estado de coisas. |
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