A Esperança da Fé

Se diante dos olhos tivéssemos só o que enxergamos, certamente nos satisfaríamos, por bem ou por mal, com as coisas presentes, tais como são. Mas o fato de não nos satisfazer, o fato de entre nós e as coisas da realidade não existir harmonia amigável é fruto de uma esperança inextinguível. Esta mantém o ser humano insatisfeito até o grande cumprimento de todas as promessas de Deus. Ela o mantém no Status Viatoris, naquela abertura para o mundo futuro, a qual, pelo fato de ter sido produzida pela promessa de Deus na ressurreição de Cristo, não pode cessar por nada, a não ser pelo cumprimento por parte do mesmo Deus. Essa esperança torna a Igreja Cristã perpetuamente inquieta em meio às sociedades humanas, que querem se estabilizar como "cidade permanente".
Ela faz da comunidade cristã uma fonte de impulsos sempre novos para a realização do direito, da liberdade e da humanidade aqui mesmo, à luz do futuro predito que virá. Essa comunidade tem o dever de "responsabilizar-se pela esperança" que nela está (1Pe 3.15). Ela é censurada pelo mundo "devido à esperança e à ressurreição dos mortos" (At 23.6). Sempre que isto acontece, o cristianismo se encontra em sua verdade e é testemunha do futuro de Cristo.

Moltmann, Jurgen. Teologia da Esperança: Estudos sobre os fundamentos e as consequencias de uma escatologia cristã. p. 37

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